2016-07-02

IMBONDEIRO-ÁRVORE MILENAR

Imbondeiro
A  árvore milenar

Os baobás, embondeiros, imbondeiros ou calabaceiras (Adansonia) são gêneros de árvore com oito espécies, seis nativas da ilha de Madagascar, uma do continente africano e Médio Oriente e uma da Austrália. A espécie encontrada em África, Adansonia digitata, existe também em Madagascar, o baobá é a árvore nacional de Madagascar e o emblema nacional do Senegal.

Espécies de baobá:
Adansonia digitata – Baobá Africano (África Central e Austral);
Adansonia grandidieri – Baobá de Grandidier (Madagascar);
Adansonia gregorii (syn. A. gibbosa) – Boab ou Baobá Australiano (Noroeste da Austrália);
Adansonia madagascariensis – Baobá de Madagascar (Madagascar);
Adansonia perrieri – Baobá de Perrier (Madagascar);
Adansonia rubrostipa (syn. A. fony) – Fony Baobab (Madagascar);
Adansonia suarezensis – Baobá Suarez (Madagascar);
Adansonia za – Za Baobab (Madagascar).

A Adansonia digitata, conhecida por imbondeiro ou baobá, é a única espécie de Adansonia que ocorre no continente Africano. Pode ser encontrada nas savanas quentes e secas da África subsariana. Aparece também em zonas de cultivo e em áreas povoadas. O limite norte da sua distribuição no continente africano está associada aos padrões da chuva, restrita ao litoral Atlântico. No Sudão, ocorre naturalmente no Sahel, mas a sua ocorrência é muito limitada no resto da região saheliana da África Central. Na África oriental as árvores crescem em aglomerados e também no litoral. Em Angola, os imbondeiros crescem em florestas e nas regiões costeiras e são comuns nas savanas, como também é o caso na Namíbia e no Botsuana e o resto da África Austral. Também se encontra em Dhofar na região de Omã e no Iêmen na Península Arábica. O nome digitata, surge do formato da folha que se parece com os cinco dedos da mão.

Crescimento

Apesar de muita gente afirmar que os Imbondeiros podem viver milhares de anos, tal não pode ser comprovado, pois o seu crescimento não leva à formação de anéis anuais.
Descrição
Muitas vezes referida como ‘grotesca’, segundo alguns autores, o tronco principal de baobás maiores podem atingir enormes proporções  até 28 m de circunferência. Embora baobás raramente excedem uma altura de 25 m. O maciço, tronco cilíndrico geralmente agachamento dá origem a ramos afilamento grossas que se assemelham sistema radicular, que é por isso que tem sido muitas vezes referido como a árvore de cabeça para baixo. Há um conto que narra como Deus plantou-os de cabeça para baixo. Muitos africanos tradicionais acreditam que o baobá realmente cresce de cabeça para baixo.
A haste é coberta com uma camada de casca, que pode ser de 50-100 mm de espessura. A casca é acinzentada marrom e normalmente suave, mas muitas vezes pode ser variadamente dobrado e com costura de anos de crescimento.

É um símbolo de África, em especial, de Angola. É usado em rituais, na medicina, inspira poetas e cantores, protege mães e filhos e é uma árvore rica.
O imbondeiro é usado para quase tudo.

Rico tesouro

Do imbondeiro, além da múkua, aproveita-se a semente, flor, folha, casca, tronco e raiz. Ou seja, tudo. Segundo a bióloga Leonor Pedro, o imbondeiro é uma “planta completa”, em que tudo o que nela contém “é precioso”, mas “corre risco de extinção”. As áreas em que a árvore cresce estão a ser devastadas.
Na área do Mazozo, Icolo e Bengo, a população local faz do imbondeiro o sustento no dia-a-dia, nos rituais e em festas que envolvem crianças e adultos nas tarefas. A árvore tem relevância na agricultura, cultura, rituais e medicina tradicional e científica, na alimentação e no ‘habitat’ dos animais.
As folhas são ricas em vitamina C, açúcares, tartarato de potássio e cálcio. Elas são preparadas frescas como um vegetal ou secos e triturados para posterior utilização pela população local. O broto de uma árvore jovem pode ser comido como aspargos. A raiz de muito jovens árvores também tem a fama de ser comestível. As sementes também são comestíveis e também pode ser assada para utilização como um substituto do café.
Lagartas, que se alimentam das folhas, são recolhidos e servem de alimento para povos africanos como uma importante fonte de proteína. Os animais selvagens comem as folhas caídas e folhas frescas são  boa forragem para animais domésticos. As flores caídas são apreciadas por animais selvagens e gado igualmente. Quando a madeira é mastigado, ele fornece a umidade vital para aliviar a sede dos seres humanos.

Árvore “mwangolê”

É uma árvore que só existe no Sul de África nas zonas mais tropicais. Em Angola, nasce mais a oeste, nas províncias de Luanda, Kwanza-Norte, Kwanza- -Sul, Malange, Zaire, Benguela, Namibe, Cunene, Cabinda e Huíla.
O vocábulo ‘imbondeiro’ não é universal. Varia de área para área, conforme a língua. Em kikongo denomina-se por nkondo, em quimbundo, mbondo, em português imbondeiro ou embondeiro.
O nome científico foi atribuído pelo botânico Lineu em 1759 em homenagem ao botânico francês Michel Andansom (1727-1806) que forneceu a primeira descrição técnica e a ilustração da árvore.
O nome é originário do latim que significa ‘digital’ pelo formato da folha das árvores adultas, que se parecem com os cinco dedos de uma mão aberta. Na maior parte de África, é chamada árvore Baobab.
Um imbondeiro adulto pode viver até três mil anos e resiste a todos os climas. Do que se conhece, a planta mais durável é a ‘welwitschia mirabilis’ que vive no deserto do Namibe, logo seguida do imbondeiro. O imbondeiro tem um ciclo que começa em Outubro com a formação das flores e em Janeiro nasce o fruto que se desenvolve durante cerca de quatro meses.
Rituais e tradição
Está ligada a rituais tradicionais, muitas vezes a ritos e crenças religiosos. Nalgumas zonas, a sombra protege o acto da circuncisão e partos. Também é usada como sepulturas, porque muitos povos creditam que se um soba for sepultado aí pode voltar e dar ideias aos sucessores.
Há populações que a usam como um celeiro para guardar milho, bombom e outros mantimentos e também como reservatório de águas em tempo de seca. Em tempo chuvoso tem capacidade de absorção de água até 120 mil litros e pode resistir a grandes queimaduras. É comum adaptar-se mangueiras com torneiras para, no tempo seco, serem usados para puxar água. Muitas famílias preferem construir casas em locais onde haja imbondeiros de grande porte.

A múkua

A múkua usa-se no fabrico de refrigerantes e gelados. As sementes são utilizadas no tratamento e controlo do ‘stress’, problemas de tensão e para quem tem perturbações mentais. O pó da múkua é útil também para curar febres, diarreias, infecções urinárias e serve também de anti-inflamatório.
A farinha tem duas vezes mais cálcio que o leite, é rica em vitamina C, potássio e outras proteínas e vitaminas. A semente do fruto, posto em banho-maria, serve para fazer muamba que se parece com a farinha de abóbora (muteta) e pode ser preparada com peixe ou carne.
Um saco de cem quilogramas de múkua custa até mil kwanzas nos camponeses. No mercado informal, pode custar até sete mil kwanzas.
A casca
Foi da casca do imbondeiro que se conseguiu extrair, pela primeira vez, o quinino. A casca triturada contém fibras parecidas ao sisal e pode ser usada em artesanato. Em Angola, são usadas no carnaval e em rituais tradicionais.
Serve para fabricar tapetes, armadilhas para caça, cestos de pesca e de uso doméstico, esteiras, cordas, instrumentos musicais, chapéus, chinelas e linha para coser roupa. Também serve para fazer carvão. As cinzas são usadas como repelentes.
Na agricultura, o tronco da árvore, em estado de decomposição, cria insecto, o ‘Mahoho’, que serve para ração dos animais.
Mohoho
É o único insecto que faz a polinização da flor. É usado como alimento tal como o catato e pode ser comido tanto fresco como defumado.
Flores e folhas
As flores e folhas do imbondeiro servem para produzir xaropes e ‘shampoo’ anti-caspa e anti-alérgicos. Só abrem de noite e secam em 48 horas. Com o botão floral, as crianças 

podem fazer carrinhos de brinquedos.
As flores grandes, pendurados (até 200 mm de diâmetro) são brancas e de aroma doce. Elas surgem no final da tarde de grandes botões redondos em longo caídas talos de outubro a dezembro. As flores caem dentro de 24 horas, ficando marrom e com cheiro bastante desagradável. A polinização por morcegos frugívoros acontece à noite.

O Oléo de Baobá
Nome latino: Adansonia digitata
País de Origem: África
Método de extração: prensado a frio
Cor: Luz óleo de Ouro

Benefícios na pele de óleo de semente Baobab.
 O óleo é perfilado exclusivamente com Antioxidante , s vitamina A , D , E e F , bem como Omega 3 , 6 e 9 de ácidos gordos .
Óleo Baobab é altamente penetrante, tornando-o perfeito para o uso intensivo da pele, suavizando a pele seca instantaneamente .
Baobab é cada vez mais usado em produtos capilares , especialmente shampoo onde, em combinação com os ingredientes de xampu o Baobab penetra no folículo piloso para enriquecê-lo com a umidade e melhorando a elasticidade enquanto nutrir o couro cabeludo.
Adicionar Baobab no seu Shampoo ( em torno de 1%) e experimentar o prazer de cabelo nutrindo . Para tratamentos de cabelo intensivos cabelos molhados e massageie Baobab em seu cabelo . Deixar durante 5 minutos e , em seguida, ligeiramente shampoo para remover o excesso de óleo . Repita semanal .

Imbondeiro na literatura

O imbondeiro, ao longo dos tempos, tem inspirado poetas e escritores, músicos e compositores.
Eis alguns exemplos:
- ‘À Sombra do Imbondeiro’ António Marcelo
- ‘Na Cidade dos Imbondeiros’ Maria Baptista
- ‘À Sombra do Imbondeiro’ Isabel Valadão
   Editora Novo Imbondeiro
   Poema: O imbondeiro de Baobá, de Namibiano Ferreira
KIBALO- O QUE CONTÉM O FRUTO E AS SEMENTES

JITONGO- A SEMENTE

2015-04-05

OBSCENA HARMONIA MUNDIAL

As manifestadas exigências revolucionárias, ao longo de milénios,  de um outro mundo na terra, encontram-se hoje completamente manietadas pelo movimento capitalista, que ao ripostar com a social-democratização e por baixo das ruidosas roupagens liberais  institucionalizaram organicamente aquele movimento, tendo-se dotado duma capacidade de integração, para varrer tudo à sua frente, tornando-se prosaicamente totalitário. Ironia das ironias, totalitarismo criticado antes da tomada do poder.
Este sistema social e político cuja produção mais notável é a da loucura, conduzindo as almas QUE GOVERNA A UM ESTADO DE SUBMISSÃO APARENTEMENTE SATISFEITA, projectando-as para uma doentização; entre a riqueza material acumulada  numa arcaica sociedade de classes que já se proclama pós-moderna e o lastimável e vergonhoso resultado disso.

Passemos então aos factos:

Convenção Internacional sobre os direitos da criança é um tratado que visa à protecção de crianças e adolescentes DE TODO O MUNDO, aprovada na Resolução 44/25 da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 20 de Novembro de 1989.




  Membros da convenção
  Assinou, mas não ratificou
  Não-signatário


Quando um dos países desta maravilhosa aldeia global, e seja por motivos políticos, económicos ou do que se quiser descarrega bombas e armas militares, noutro país, matando as CRIANÇAS E ADOLESCENTES estamos aqui a observar salutarmente o tratado acima mencionado?
Se um cidadão comum rouba uma laranja é incriminado e julgado,  e outro que “democraticamente eleito” representante do povo, portanto fazendo parte do aparelho governativo do Estado, rouba milhões e tem direito a uma supra imunidade passando por isso incólume sobre o acto de roubalheira estamos outra vez aqui a observar a um salutar exemplo de dignificação do ser humano.
E a que exercício cognitivo nos leva as acções, daquele pai que põe o filho  numa banheira de água a  ferver porque a criança não se cala, daquele co-piloto que se arrasta a si e a todos os ocupantes do avião para a morte por via dum estado depressivo, daquele que pega numa arma e indiscriminadamente mata as  pessoas sem “as conhecer de lado algum”, daquela mentira global que prolifera, ora dizendo que o produto Y faz bem ora faz mal , promovendo produtos tóxicos defendendo que proporcionam saúde e bem estar. Como sinais importantes o aumento galopante dos números de suicídio e dos psico dopados a tomar em atenção. Nunca se sabe se não será o nosso amigo do peito e de infância a cravar uma faca nas nossas costas.
A artificialidade que o ser humano vem assumindo no seu trajecto ( particularmente com o aceleramento na Era Industrial ) vulgo a “inteligência artificial” “os transgénicos” e as clonagens entre outras aberrações são talvez o sinal de que o caminho que o ser humano encetou não terá sido o mais correcto, apesar da VOZ ALTOSONANTE da globalização, consubstanciada na voz todo poderosa dos referidos liberais totalitários.
Um problema conceptual muito comum é acreditar-se que a evolução é progressiva, mas a seleção natural não tem um objetivo final, e não produz necessariamente organismos mais complexos.[1] Apesar de espécies complexas terem evoluído, isso ocorre como consequência indireta do aumento no número total de organismos, e formas de vida simples continuam sendo mais comuns.[2] Por exemplo, a esmagadora maioria das espécies constitui-se de procariotos microscópicos, que são responsáveis por cerca de metade da biomassa do planeta, apesar de seu pequeno tamanho,[3] e compõem uma grande parte da biodiversidade na Terra.[4] Assim, organismos simples continuam sendo a forma de vida dominante no planeta, sendo que as formas de vida mais complexas parecem mais diversas apenas porque são mais evidentes para nós.[5]
A evolução tem sido usada para posições filosóficas que propõe discriminação e o racismo. Por exemplo, as ideias eugénicas de Francis Galton foram desenvolvidas para argumentar que o pool genético humano podia ser melhorado através de políticas de cruzamentos selectivos, incluindo incentivos para aqueles considerados como "bom stock" para se reproduzirem, e esterilização compulsória, testes pré-natais, controlo da natalidade e inclusive homicídio dos considerados "mau stock".[6] Um outro exemplo de uma extensão da teoria evolutiva que é reconhecida actualmente como indevida é o "Darwinismo social", um termo dado à teoria Malthusiana dos Whig, desenvolvida por Herbert Spencer em ideias de "sobrevivência do mais apto" no comércio e nas sociedades humanas em geral, e por outros que reclamavam que a desigualdade social, racismo e imperialismo eram justificados.[7] Contudo, cientistas e filósofos contemporâneos consideram que estas ideias não são nem mandatadas pela teoria evolutiva nem sustentadas por quaisquer dados.[8,] [9]

Torna-se difícil aceitar a teoria de que o mundo se rege pela lei do mais forte ou dos “adaptados”. Por um lado dizemos de nós que a “razão” nos diferencia dos demais (subtenda-se os outros seres vivos ou inanimados) estando no topo da pirâmide no que toca às “mordomias” e lucros do sistema, por outro, no que toca  à frieza e pobreza  humana, lá vêm as comparações com os demais.

Nos meandros essenciais da sobrevivência, que é o outro nome da vida presente – a família, a escola , o trabalho e, de modo global, a organização espectacular, que tudo isso explica e envolve tentacularmente -, a harmonia é essencialmente obscena, quando não é simplesmente grotesca.
O modo de produção capitalista ( a dominar integralmente as sociedades) têm como modus vivendum natural e necessário, a angústia do desapossamento, a descerebralização , em suma o “analfabetismo cognitivo”.
Concluindo, a afirmação de que a única que não compactua com estes desideratos é a MÃE NATUREZA e que por certo se encarregará de pôs as coisas no seu devido lugar nem que para isso venha a significar a eliminação pura e dura do ser humano.

KimdaMagna

2.      Carroll SB. (2001). "Chance and necessity: the evolution of morphological complexity and diversity". Nature 409
3.      Whitman W, Coleman D, Wiebe W. (1998). "Prokaryotes: the unseen majority".  
4.      Schloss P, Handelsman J. (2004). "Status of the microbial census". Microbiol Mol Biol Rev 68
5.      Nealson K. (1999). "Post-Viking microbiology: new approaches, new data, new insights". Orig Life Evol Biosph 29
6.  Kevles DJ. (1999). "Eugenics and human rights".
7.  Sobre a história da eugenia e da evolução, veja D Kevles. In the Name of Eugenics: Genetics and the Uses of Human Heredity. [S.l.]: Harvard University Press, 1998.
8.  Darwin discordava completamente com as tentativas de Herbert Spencer e outros de extrapolar as ideias evolutivas para todos os temas
 9.   M Midgley. The Myths we Live By. [S.l.]: Routledge, 2004. 62 p.

    Allhoff F. (2003). "Evolutionary ethics from Darwin to Moore". History and philosophy of the life sciences


2014-01-15

DUALÍSTICO


Sol brilhando mais uma vez

a cúpula azul, permanece imensa

Imbondeiro frondoso, um pássaro pousado

chilreia sinfonias, cigarras cantando

para o laborioso carreiro de kissondes

acompanhando banho de sol do lagarto,

só a terra seca, reclama

Não chove!

Está calor.

No lado racional

oposição atira culpas

poucos estão mais ricos

muitos mais sem emprego

forças da ordem, avançam armadas

ser humano vira descartável

falou o Papa!

Está frio.

2014-01-14

SONHO INTEMPORAL




O cativeiro que me criei é uma forma astuta

de fuga à ordem exterior

meu sonho não tem limites…

as grades que tenho em mão

são a máquina transportadora

em toda a direção.

Sonho a esconder o teorema

na milésima pessoa do singular

sonho descuidado,ACORDADO.

Oh axioma dialéctico que cantas

toda a natureza

inconsciente e integral.

2013-12-10

CAPITAL HUMANO (Desenvolvimento Sustentável)


 

-57 anos MPLA-

 

A sociedade angolana encontra-se numa fase de profundas mudanças sociais. Há uma certa indeterminação no que concerne ao sentido para onde se dirige. As razões são várias. Desde logo, do ponto de vista da nossa ignorância relativa (faltam-nos estudos sobre a componente social), não se conhecem suficientemente bem muitos dos factores sociais que impulsionam essas mudanças, mesmo só agora está programado para 2014 um censo abrangente, nem muitas das dinâmicas sociais. Apesar dos esforços e alguns (poucos) trabalhos já disponíveis a este respeito, as ciências sociais ainda há pouco, em termos históricos, começaram a fazer o seu trabalho. Acresce que, no mundo global e globalizante, aparecem interdependências cada vez mais cerradas, condicionando muito do que se passa no País, processos que no essencial, se estruturam a níveis externos( modelos importados ).

Mais importante ainda e porventura conduzindo a uma ordem de considerações de sinal contrário, existe outra razão de indeterminação. Com efeito, por mais que as conheçamos, as sociedades humanas são sempre realidades contingentes, construídas pelos agentes sociais individuais e colectivos que nela actuam, decorrendo daí resultados imprevisíveis do relacionamento recíproco.

Podemos desejar conhecer muitos dos parâmetros estruturantes e das tendências profundas que se manifestam na sociedade actual, dissecar muitos dos constrangimentos e mecanismos da ação social. As ciências sociais têm feito, a descoberta da importância dos padrões de relacionamento social, com frequência invisíveis à percepção quotidiana, das regularidades insuspeitadas que se observam nos tecidos e processos sociais, do peso, em geral inadvertido, que as condições sociais de existência dos indivíduos e dos grupos exercem no que cada um pensa e faz; tudo isso têm sido resultados da sua actividade cognitiva sistemática.

As ciências sociais têm descoberto, também, o referido carácter auto constituinte da realidade social, a incontornável historicidade da vida humana em sociedade, a reflexividade inerente aos actores sociais, sempre condicionados socialmente nas suas práticas quotidianas, mas também susceptíveis de conduzirem reflexivamente a sua ação de outra maneira. É uma característica dos actores sociais e, igualmente, a seu modo, das sociedades humanas como um todo e de forma particularmente acentuada hoje em dia quer pelas TIC’S, pelos sistemas educativos massificados, os circuitos culturais alargados e os sistemas políticos democráticos.

Reflexividade social implica, assim, tanto a possibilidade de tomar consciência de certos constrangimentos sociais, como a possibilidade de escolhas ( outros cursos de ação ) significando os riscos de enquadramento dos aparelhos de vigilância, as oportunidades de condutas alternativas e inovadoras, produzindo regimes de interação mais complexos, o que pode levar a baixos coeficientes de previsibilidade.

Uma coisa parece razoavelmente certa, que será um duplo facto:

1-Angola está, justamente, cada vez mais envolvida neste tipo de sociedade da informação e do conhecimento, em que as qualificações escolares e profissionais da sua população são já, e sê-lo-ão de modo exponencial no futuro próximo, os principais recurso de empregabilidade, de acesso à cultura e à informação, de qualidade de vida e de possibilidade de participação cívica e política.

2- Ver-se confrontada, neste processo, com défices bastante acentuados de qualificação da sua população, o que compromete, ou pelos dificulta muito, numa época de crescentes interdependências mundiais, a competitividade económica, a modernização do tecido produtivo, dos valores e das instituições, o protagonismo cultural e a influência política ,ou, em termos mais globais, a inserção em vias avançadas de desenvolvimento.

Tanto os níveis de qualificações escolares e os perfis de literacia da população Angolana como os respectivos níveis de qualificações profissionais, apesar dos ritmos de crescimento geral e de alguns casos qualitativamente exemplares verificados nos últimos tempos, apesar da apetência manifestada pelos jovens na procura dos sistemas de ensino e formação e dos esforços institucionais realizados nestes domínios, ainda estamos muito mal colocados.

Portanto a tónica a imperar será a do ensino qualitativo, que deve assumir primordial importância para dotar a sociedade angolana de instrumentos eficazes, que levem à sustentabilidade de meios e fins.

Cursos escolares, competências profissionais vistos na óptica pura da estatística e do quantitativo provocam prejuízos e mais grave ainda o protelar do verdadeiro enriquecimento do capital humano. Na escolha de entre estas duas premissas - Muitos e Fracos e POUCOS e ÒPTIMOS  julgo que a escolha deverá recair sobre a segunda. Convém não esquecer que crescimento e desenvolvimento não são a mesma coisa, sendo que o quantitativo diz mais respeito ao crescimento e o qualitativo ao desenvolvimento.

2013-12-07

POEMA PARA NELSON MANDELA


 
 
SEM MILAGRES
 
 
Dentro de mim é o sol, sem milagres

Enquanto as aves de rapina, sobrevoam

Uma dialéctica civilizadora,resumindo: pão para todos

 

Pelo terror dos dias, a vida minguante dos pobres

Águas infectadas nos banquetes loucos das bactérias

Escutai como elas riem das coisas da poesia

Da imensidade do louco caminhar humano.

 

Uma loucura inteligente, prazeirosamente debruçada

Sobre as folhas das gargantas, sangrando

Partem de noite extremas e únicas

E nada mais somos que sonhos calcinados.

 

A mão esquerda em cima, mostra um céu

A outra em baixo, mexe num charco indefinível

O actor incendeia a boca, depois o peito

Finge as caras aprendidas nas poças interiores

Põe flores nos cornos, ninguém ama tão desalmadamente.

 

Se houvesse degraus na terra

Seria certa a ascensão.

2013-11-25

JUVENTUDE - QUE MODELOS?




 

Porque a democracia é um regime em que tudo ou quase tudo é permitido – o pior, mas também o melhor – podem emergir mesmo que subjacente ao paradigma “a minha liberdade começa ou acaba na liberdade do outro”.

Os valores ditos “modernos”, ao contrário dos valores tradicionais, favorecem uma expansão do consumo e já não uma economia de poupança. O culto do prazer valoriza-se mais do que o do dever, a atracão do novo é mais forte que o conformismo. Uns criam o modelo, outros imitam-no, e o resto da sociedade aspira a um modo de vida que não está ao seu alcance.

Pensou-se assim que este seria o modelo dominante, mas eis que fruto da movimentação socio-cultural resultante do próprio modelo, assiste-se ao nascimento de  novos tipos de consumidores e a tendência que se observa hoje é o abandono de “um modelo dominante” e a preferência pelas soluções multipolares, com valores e comportamentos diversificados. A escolha nunca foi tão variada e tão fluida. Hoje as sociedades ocidentais ( no qual Angola se enquadra com suas nuances específicas) apresentam um mosaico de modelos culturais, resultado também das mutações aceleradas que se vêm acumulando nos últimos tempos.

Podemos no entanto falar de três modelos culturais que se destacam de todos os outros:

O MODELO “UTILITARISTA”, caracteriza-se em linhas gerais, pelo individualismo celular do clã, da família, da pátria. Pela acumulação materialista, pela poupança passiva, pelo apego à propriedade, pelo conservadorismo dos hábitos, a manutenção das tradições e a resistência à inovação, pelo conformismo, obediência e repressão social. Embora alguns dos seus valores voltem à superfície como reação contra a crise económica e psico-sociológica a que assistimos este modelo só se pode considerar dominante em certas zonas rurais e junto de camadas de baixo nível económico e cultural, sobretudo nos mais velhos. Este modelo cultural permanece vivo e inscreve-se profundamente na retórica de certas forças políticas, na organização e na linguagem de certos sectores da Administração Pública, nos programas de algumas escolas e universidades, e instituições como a Igreja Católica.

O MODELO DA “AVENTURA” é pragmático, activista, empírico, concreto, vulgarizador e desmistificador e valoriza entre outros os seguintes comportamentos: a competição agressiva, a concorrência, o risco, o pôr em causa o aquirido, a originalidade individual, a personalização egocêntrica, a experimentação, a procura, a exploração, o gasto, o desperdício, o desrespeito pela natureza. O sistema de valores destes comportamentos têm como traços fundamentais, o hedonismo, o sensualismo, o prazer, a vontade de poder, o sucesso social, a ascensão permanente, a inovação, o progresso, a mudança, o efémero, a renovação, a velocidade, a tecnologia, a ciência, o saber.

Este modelo é contestado a partir do interior pelas minorias sociais activas ( consumidores, ecologistas, feministas, regionalistas… ). Não deixa de ser porém um modelo de forte implementação, proposto pela publicidade, pelo sistema de consumo, pelo urbanismo moderno.

O MODELO DA “ RECENTRAGEM” é  mais uma frente heterogénea de recusa do que um projecto comum de futuro. A sua dialéctica representa uma compensação psico-social. São seus valores, o mito da natureza contra o mito da ciência, valores de ordem e de tradição contra a anarquia e a entropia da inovação acelerada, valores humanistas, igualitários, de segurança e estabilidade contra os valores do risco competitivo. Os seus comportamentos sociais característicos manifestam-se em termos ambíguos e, por vezes, contraditórios: isolacionismo e gregarismo, instalação materialista e busca espiritual, passividade e auto-suficiência.

Qual ou quais o(s) modelo(s) que estão a adquirir protagonismo na sociedade angolana? Há grandes desvios do lá atrás preconizado, ou a sua evolução é coincidente?  

2013-11-22

DIA NACIONAL DO EDUCADOR


Os países desenvolvidos são aqueles que possuem melhor capital humano.

Joga aqui um papel fundamental as bases da educação ao longo da vida e que assentam em quatro pilares:

1-Aprender a conhecer
2-Aprender a fazer
3-Aprender a viver em sociedade
4-Aprender a ser

Portanto antes do papel do professor importa considerar e analisar o conteúdo dos programas escolares, e as prioridades das disciplinas. A demanda então que se apresenta será: No processo primário (os primeiros 4 anos da Instrução Primária) o que interessa verdadeiramente e o que suportará o real processo de aprendizagem? Parece inquestionável e para o desenvolvimento do aluno, ser o conhecimento escrito e falado da língua, se não o processo de aprendizagem entra  em défice.

Terei que pegar num exemplo concreto. No manual  para a 2ª. Classe “Estudo do Meio” no tema a Escola é colocada uma observação - “A Joana riscou a mesa de trabalho”  -no qual a criança deverá completar a seguir à palavra- procedeu- bem ou mal. Oralmente a criança responde que a Joana procedeu mal, mas se eu pedir para ela ler este enunciado ela não consegue ler. Ressalta então que a criança decorou o conceito o que em termos pedagógicos , da aprendizagem da distinção entre bem e mal, cumpre o seu fim, mas não está a aprender a ler. A continuar assim este processo, levará a que tenham a capacidade de memorização dos conceitos, mas não adquirem a capacidade crítica, por falta fundamentalmente do domínio da língua. É verificável ( salvo raras exceções) que este défice do domínio da língua se está a prolongar até  ao espaço Universitário e inclusive dentro dele. É óbvio que  sem domínio da língua não estaremos preparados para “aprender” qualquer disciplina. Se o que se pretende, é ter um Ensino que dote o aluno do sentido crítico, de análise, de compreensão dos conteúdos, passará forçosamente por ter a ferramenta que o ajudará a consegui-lo. Decorar conceitos é a estratégia da Doutrinação, metodologia comprovadamente fraca em termos pedagógicos.

Assim e no meu entender, a construção de mais escolas, a sensibilização e consciencilização dos professores e encarregados de educação no melhoramento das suas aptidões são fatores importantes para o processo educativo, se estiverem apoiados em alicerces seguros, tal como na construção de um edifício interessa fazer as fundações e alicerces estáveis , robustos, se não de nada valerá fazer a cobertura com chapas de ouro.

2013-11-07

O COGITO


O QUE É ENTÃO A VERDADE?

“Uma multidão movente de metáforas, de metonímias, de antropomorfismos…”
                                                                                                  Nietzsche

Então porque razão  Deus é nos sempre declarado como masculino?

A “razão” de uma Deusa suprema é inconvenientemente “falsa”?

“…em resumo um conjunto de relações humanas poeticamente e retoricamente erguidas transpostas, enfeitadas, e que depois de um longo uso, parecem a um povo firmes, canoniais e constrangedoras:  as verdades são ilusões que nós esquecemos que o são, metáforas que foram usadas e que perderam a sua força sensível, moedas que perderam a sua força sensível, moedas que perderam o seu cunho e que a partir d então entram em consideração, já não como moeda, mas apenas como metal.”
                                                                                                            Nietzsche

Atente-se: Desde que existem as escritas, e passando por todos os grandes pensadores, “a verdade” vem-se declarando em múltiplas formas. Permanece no entanto a designação Homem para falar do ser humano e a masculinidade do “Deus” supremo. Se a palavra é um símbolo[1] podemos seguramente considerar que o uso das palavras homem ou mulher para designar o ser humano tem as sua implicações. E por favor não me venham com a justificação de que usando a palavra homem com H GRANDE, assim designamos o ser humano. Redundância redundante é demasiado peso. Será por essa “conveniência” que a figura que vem fazer a redenção ( crucificação) caberá mais uma vez ao lado masculino esse protagonismo; e a Trindade ( O Pai. O Filho e O Espírito Santo) foi uma “coisa” que calhou assim “verdade” inocente? E a figura do Papa ( outra vez o masculino) reforça a “verdade?

Deixem-me por favor agora situar na minha cultura. Existem divergências sobre a problemática étnica a que eu em última análise apelido de “DALTONISMOS EPIDERMICOS”, preferências de chegada ou de ocupação e uma quantidade de neo-conceitos, mas no fim ( ou será no princípio) vamos cair sempre no uno e intemporal conceito masculino: A religião umbundu considera o Suku como o Omnipotente do Céu e da terra, o Criador do Universo, o Providente que nos assiste sempre “Suku kapekela otulo”. A figura Féti já cá estava só depois lhe é concedida a graça da presença feminina ( Tchoya).

Existe uma figura gramatical ( o artigo Neutro) que seria uma “verdade” mais aceitável na designação da entidade Omnipotente, por contraponto à repetição exaustiva de um facto , que leva a aceitá-lo como verdade. “Mentira mil vezes repetida, verdade se torna.”



[1] O termo "símbolo", com origem no (grego), designa um tipo de signo em que o significante (realidade concreta) representa algo abstracto (religiões, nações, quantidades de tempo ou matéria, etc.) por força de convenção, semelhança ou contiguidade semântica (como no caso da cruz que representa o Cristianismo, porque ela é uma parte do todo que é imagem do Cristo morto). Adam Schaff, desenvolveu uma classificação geral dos signos. Sendo um signo, "símbolo" é sempre algo que representa outra coisa (para alguém).